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“Isso não é um déjà vu.”

28 nov

Você tem o que, 20 anos?

Então, vão aí três fatos sobre você:

–  já teve um cd das chiquititas;

– já teve uma discussão envolvendo os passos corretos de macarena;

– já viu quase todos os clássicos da Disney.

Éééé… como toda boa infância, a nossa foi lotada de muita breguice, músicas toscas com passinhos ainda mais toscos e muito, mas MUITO desenho animado.

Quem nunca sonhou em erguer o filhotinho Simba diante de toda a selva? Ou voar com pó de pirlipimpim? Ou prender um cão e uma raposa num mesmo lugar pra ver se voltam a ser amigos? (não aconselho)

Pois é. Disney nos ensinou muito sobre ciclo da vida, amizades sem preconceitos, honestidade e sinceridade, amor materno… Ei, peraí.

Já notou que nosso grande mestre Walt Disney não era muito chegado em… mães?

Chocado? Esse é mais um dos grandes clichês da Disney.

Não tá acreditando.

Ok.

Contemos juntos as mães que aparecem nos filmes da Disney.

Você: Bambi!

Eu: Ahn. Ok. Só faltou ela continuar viva depois da metade do filme.

Você: Bela Adormecida!

Eu: Aquela mãe é um mito. Aperece só na primeira cena, e nem nome dão pra infeliz. “... onde viviam o príncipe Esteban e sua rainha.”

Você: Mulan!

Eu: Velho, a mina foi PRA GUERRA por causa do pai. Pergunta se ela faria o mesmo pela mãe. (not really)

Você: Rei Leão!

Eu: Ha-ha. Quem vai ligar pra coitada da… qual o nome dela mesmo… Ah!  Pra coitada da Sarabe  depois da cena mais trágica e linda da história onde o Mufasa morre!?!

Contenha sua lágrimas.

Se você ainda não entendeu, reveja suas fitas VHS empoeiradas no armário que você não tem coragem de se desfazer de:

A Bela e a Fera, A Pequena Sereia (e suas mil derivações), Alladin (e suas mil derivações), Pocahontas, Pateta – o filme, A Espada era a Lei, Lilo e Stitch, Mogli – o menino lobo, Tarzan, Bernardo e Bianca, Branca de Neve, Cinderela, Corcunda de Notre Dame, Pinóquio… Enfim, quase tudo.

Where are the fucking moooooms!?

E naqueles filmes onde o pai, cansado de estrelar sozinho nas telas, arranja uma mulher… Aí que fodeu MESMO.

Porque, primeiro, ele morre.

Segundo, a mulher é uma vaca. Ô madrastinha das trevas, que ora escraviza a enteada, ora tenta matar ela com uma maçã (mesmo quando a pobre já faz o favor de viver com 7 anões).

A mulher com mais problemas de auto-estima do mundo animado.

Olhar maternal.

E os pais sobreviventes? Sempre bem mais velhos. E ou são meigos e ligeiramente burros…

O pai inventor de Bela. Cuuuuute!

O pai de Jasmin. Cuuuute!

O pai de Jane. Não tão gordinho quanto a fofura demanda. Mas continua cute.

Ou sarados e armados.

Pai de uma penca de sereias. Mas dá um caldo.

Tanquinho de Powatan.

Você já ouviu falar de muita mensagem subliminar da Disney, certo?

Mas aposto que “mães são inúteis” é novidade.

Freud explica.

“Isso não é um déjà vu.”

7 nov

Qual é o seu maior medo?

Não, não tô falando de andar de avião, ficar preso em cabines de banheiros públicos, nem de baratas voadoras no cabelo. (Embora eu não seja fã dessas últimas duas opções.)
Estou me referindo a algo mais profundo e filosófico que isso.

Pensou bem?
Aposto que tem a ver, de alguma maneira, com morte. Certo ou errado?

Pois não tema mais, querido leitor!
Apesar de ser inevitável a longo prazo, a morte pode ser, sim, postergada.
Como?
Bom, vou te dar alguns exemplos de gente que, simplesmente, se recusa a morrer.
São as mortes mais dramáticas do cinema.

Cena do filme Platoon, da épica morte do Sargento Elias (que por sinal, virou imagem principal do filme). Exibido.

Por que é clichê?

Verdade seja dita, um dia ou outro, mais cedo ou mais tarde, a morte dá as caras pra todo mundo.

E se tem um lugar onde a marvada adora aparecer, é num filme. Nada como uma mortezinha básica e trágica pra dar aquele toque na história.

Mas tem uns personagens… que são duros na queda.

Vai facada, tiro de revólver, tiro de metralhadora… O malandrão se segura todo até dar seu showzinho.

Cenas de “V de vingança”. Após ser ULTRA bombardeado de tiros de metralhadoras, “V” ainda mata todos os caras (armados até os dentes) com faquinhas, ao melhor estilo Chuck Norris.

E ainda vai atrás da mulher amada, pra só depois de revelar seu amor, morrer em seu braços.

Sim, eventualmente morrem, mas não sem fazerem um pequeno draminha antes.

Esse draminha consta mais ou menos dos seguintes itens:

1. Fato revelador: o cara, em meio morte e dor agonizante, ainda se agarra nuns últimos segundos de vida pra revelar um fato chocante.

Cena do filme “Os intocáveis”, da morte Malone (interpretado por Sean Connery), que mesmo depois de levar sabe Deus quantos tiros, ainda se arrasta por um corredor, chega na sala da sua casa, espera Eliot Ness (Kevin Costner) chegar pra ainda lhe revelar o paradeiro do contador de Al Capone (Robert De Niro).
A morte teve trabalho com esse cara.
                                                                                                                               2. Despedida comovente: o morimbundo resiste até poder declarar seu amor eterno, agradecimento melancólico ou pedir perdão por ter feito alguma cagada durante o filme (cagada à qual, provavelmente o levou ao momento da morte. aqui se faz, aqui se paga, nigga!)
Cena do filme “Senhor dos Anéis – A sociedade do anel”, com a morte de Boromir (Sean Bean). “Ae, desculpa por tentar pegar o anel e quase foder todo mundo.”
                                                                                                                                
Cena do filme “Forrest Gump”, da triste/filosófica/em meio à selva sendo bombardeada morte de Bubba (Mykelti Williamson).
                                                                                                                               3. Pedido fdp: o indivíduo em questão, utilizando da sua condição da maneira mais apelativa possível, pede ao coitado que tá lá com ele (que ainda está fazendo o favor de o segurar nos braços, provavelmente correndo risco de morrer também) algum favor – e não falo de qualquer favor: é do naipe “Cuide da minha família”, “Vença a guerra por mim”, “Entregue essa carta à fulano”. (E vai saber quem é e onde mora o fulano…)
                                                                                                                              
Cena do filme “O resgate do soldado Ryan”, cuja morte de Wade (Giovanni Ribisi) deixou uma cartinha no bolso. Sem compromisso.
                                                                                                                             4. Momento “Sou foda”: o cara se acha o fodão da parada, e mesmo nos últimos suspiros ainda grita para aqueles que tão simplesmente o matando “Seus merdas! Is that the best you mother-fuckers can do!?”
                                                                                                                                
Cena do filme “Scarface”, da morte de Tony Montana. You fuck with him, you fuckin’ with the best.
                                                                                                                                
Cena do filme “Táxi Driver”, com o incansável Travis (De Niro). Tiro na jugular? FODA-SE, eu boto a mão no lugar e continuo matando geral!
                                                                                                                           E por que essa droga é tãããão boa!?
Não é mera coincidência que os exemplos de filme que eu coloquei neste post sejam todos… do caralho.
Sim, minha gente!
Nada como uma morte épica pra deixar tornar um filme clássico/ícone/inesquecível.
E, vai, confessa. Você bem que chorou em alguma dessas cenas. Ou sentiu o olho dá aquela ardidinha. Ou quis gritar que nem um louco no melhor estilo de negação: “Nããão! Ele não pode morrer!”
“Clube da Luta”. Ok, atirei na minha cabeça, mas ainda falo – e digo que tá tudo bem, fico de pé e assisto o circo pegar fogo. Chupa essa manga, Norris.                                                                                                                                                                                                    Lição de vida (ou morte) dessa segunda-feira: antes de seguir a luz branca brilhante no fim do túnel, declare seu amor, peça perdão, dê um conselho (qualquer que seja, na hora vai soar sábio), ou faça uma piada sobre a ironia de você estar morrendo (muito chique, super in).
Ah, e se possível, sempre guarde um segredinho na manga pra revelar na hora H.
É, meu povo. Morrer no clichê é mais difícil do que você imaginava.