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Isso não é um déjà vu.

19 set

Se você mora em São Paulo, deve ter verdadeiro horror da palavra chuva. Enchente, trânsito, alagamento…

E como a cidade da garoa sofre de uma verdadeira TPM climática, nem sempre estamos preparados para o toró repentino.

Mas hoje você vai ver o lado bom de tomar uma chuvinha. E dica é um dos clichês mais banais de toda a história do cinema.

Não, não estou falando de filmes com Jim Carey no papel de um louco, nem de Eddie Murphy interpretando 20 personagens de uma só vez. Dessa vez, trata-se do romântico e dramático beijo na chuva.

Cena final do filme "Bonequinha de Luxo", de Blake Edwarrds, com o belo beijo de Audrey Hepburn e George Peppard

Chega um momento no filme romântico que tudo parece errado: o casal está brigado, a garota está em perigo, o mocinho está em dúvida sobre o amor e todo o romance parece que vai ter seu fim. E de repente, desaba aquela tempestade.

E quando isso acontece… espectador sentimental, fique tranquilo: tudo vai dar certo. Afinal, quem lembra de alguma coisa depois de um beijo avassalador que nem esses?

Ryan Gosling e Rachel McAdams, no filme "Diário de uma Paixão", de Nick Cassavetes

Por que é clichê?

Porque é a apelação máxima do romance – não importa o diretor, o país, a época ou o gênero (embora seja, obviamente, bem mais frequente em comédias românticas) – eventualmente, aquele beijinho romântico vai lá na tela dar seu ar da graça. E a música de fundo sempre vai ser aquela de orquestra…intensa… e suave… e… padrão.

Nem o beijo invertido do Homem Aranha escapou da garoa.

Por que essa droga é tãããão boa?

Bom, cinema é manipulação. Nada tá lá “por acaso”. E não teve aquela chuvinha surpresa justo naquele dia, ó ingênuo. O cara que pensou naquela cena sabia que você ia dar aquele suspiro “Aaahh…”. E se você não suspirou, fez aquela carinha boba (não, você não conseguiu disfarçar), e respirou profundamente. E você fez tudo isso por vários motivos:

  1. A primeira reação de alguém quando chove é correr – se proteger, ir pra um lugar seco. Só daquele casal estar lá, disposto, debaixo daquele chuvão, na maior calma, já, institivamente, te chama  a atenção;
  2. A cena geralmente vem seguida de um momento de tensão (discussão, despedida, ou uma DR básica);
  3. A roupa dos atores (que, falemos os fatos, sempre são, no caso das mulheres, gostosas/bonitas, e no caso dos homens, sarados/galãs) estão grudadinhas, e com sorte, meio transparentes.
  4. O close da câmera em conjunto com a música deixa todo mundo morrendo de vontade de sair no meio da rua, puxar o primeiro desconhecido que encontrar e lascar-lhe um baita de um beijo molhado. E se você não matar essa vontade, vai virar um desejo pro resto da sua vida.

Natalie Portman e Zach Braff, em "Hora de Voltar", do próprio Zach Braff (...o cara mais foda ever - não resisti.)

Jonathan Rhys Meyers e Scarlett Johansson, em "Match Point", do mestre Woody Allen. Sacou o lance da roupa molhada?

É… Beijar é bom. Beijar na chuva, pelo menos nos filmes, é muuuito melhor.

Então, que cantar na chuva que nada! Fechem os guardas-chuvas e beijem loucamente debaixo d’água!

PS: Vale tomar um remedinho pra gripe chegando em casa. Se tem um beijo que não é sexy, é o beijo gripado. #ficaadica

Isso não é um déjà vu.

12 set

Hey, there!

Bem vindo ao meu primeiro post em nosso blog! Será um prazer tê-lo por aqui!

Ok. Isso pareceu clichê? Pois você não viu nada ainda.

Já parou pra pensar em quantos clichês a gente se depara todos os dias? Aquele beijo na chuva no filminho romântico, aquele último suspiro do cara no hospital – que revela um grande segredo em tempo exato antes de morrer, o cachorro que morreu no final do filme, o assassino sanguinário do filme de terror que na verdade é a criança… E já parou pra pensar que eles… funcionam? Você suspirou na cena do beijo, seu queixo despencou com a revelação do moribundo, chorou horrores com aquele cachorro e pensou naquela maldita criança quando ficou sozinho no escuro!

Essa coluna se destina pra destrinchar todos os clichês que… apesar de já miados e previsíveis, mexem com você. E estamos aqui pra te explicar o porquê!

Desde cinema, até a rádio – nada sai do radar.
Leia, comente, elogie e critique.

E não se esqueça: se achar que está tendo um déjà vu, pense duas vezes – você pode estar, simplesmente, de cara com um grande clichê.

Preparados?

Bom, nesse exato momento, estou no meu sofá, vendo televisão. Mais especificamente, um daqueles canais de TV à cabo. No meio de mil chamadas de seriados, e propagandas de perfume e carro,  é impossível não reparar em uma coisa: na chamada da série Nikita. OK, parte  se deve, sim, a sua repetição atordoante (às vezes, confesso que pronuncio as falas da chamada junto com a TV). Mas o que não deixa com que tiremos os olhos da tela é a premissa narrativa.

Trata-se de uma série de uma hora, sobre uma mulher linda – que no contexto hollywoodiano significa alta, magra e de pernas maravilhosas, bronzeadas e torneadas -, inteligente e misteriosa, que luta como ninguém, usa armas como ninguém e combate os “caras maus” de uma organização secreta como ninguém.

E, espante-se, isso é um clichê.

Tudo tem início com nossa princesa guerreira, a grande Shena.

E seguimos com as Panteras…

…E a infinidade de outras mulheres divas do crime, em suas vinte mil versões de CSI e afins.

Mas por que essa droga é tããão boa!?

Simplesmente porque as mulheres se sentem, desculpe a palavra (mas tenho que fazer jus ao nome do blog), foda. Eu pelo menos, me sinto ULTRA foda. Por quê?  Pra começar, porque a personagem principal, Nikkita (pasmem), é mais forte e perigosa que qualquer homem a seu redor. Que Rambo, James Bond, Jason Bourne, que nada! Ou seja: ponto positivo para as feministas de plantão. Ainda não convencido? Me diga, então, que mulher não quer ser super sexy e desejada ao mesmo tempo que é absurdamente mortal? Fora o fato que por mais que ela lute, corra, desative bombas, salte de carros em chamas e se meta em enrascadas internacionais, seu cabelo continua impecável. Quanto aos homens… Uma mulher gostosa, armas e carros capotando. Preciso dizer mais alguma coisa?

E sim, me realizo por ela, aqui, sentadinha em meu sofá, usando meu moletom e com meu cabelo nada impecável.

Vai, Nikkita, pega esse babaca de jeito!