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“Isso não é um déjà vu.”

7 nov

Qual é o seu maior medo?

Não, não tô falando de andar de avião, ficar preso em cabines de banheiros públicos, nem de baratas voadoras no cabelo. (Embora eu não seja fã dessas últimas duas opções.)
Estou me referindo a algo mais profundo e filosófico que isso.

Pensou bem?
Aposto que tem a ver, de alguma maneira, com morte. Certo ou errado?

Pois não tema mais, querido leitor!
Apesar de ser inevitável a longo prazo, a morte pode ser, sim, postergada.
Como?
Bom, vou te dar alguns exemplos de gente que, simplesmente, se recusa a morrer.
São as mortes mais dramáticas do cinema.

Cena do filme Platoon, da épica morte do Sargento Elias (que por sinal, virou imagem principal do filme). Exibido.

Por que é clichê?

Verdade seja dita, um dia ou outro, mais cedo ou mais tarde, a morte dá as caras pra todo mundo.

E se tem um lugar onde a marvada adora aparecer, é num filme. Nada como uma mortezinha básica e trágica pra dar aquele toque na história.

Mas tem uns personagens… que são duros na queda.

Vai facada, tiro de revólver, tiro de metralhadora… O malandrão se segura todo até dar seu showzinho.

Cenas de “V de vingança”. Após ser ULTRA bombardeado de tiros de metralhadoras, “V” ainda mata todos os caras (armados até os dentes) com faquinhas, ao melhor estilo Chuck Norris.

E ainda vai atrás da mulher amada, pra só depois de revelar seu amor, morrer em seu braços.

Sim, eventualmente morrem, mas não sem fazerem um pequeno draminha antes.

Esse draminha consta mais ou menos dos seguintes itens:

1. Fato revelador: o cara, em meio morte e dor agonizante, ainda se agarra nuns últimos segundos de vida pra revelar um fato chocante.

Cena do filme “Os intocáveis”, da morte Malone (interpretado por Sean Connery), que mesmo depois de levar sabe Deus quantos tiros, ainda se arrasta por um corredor, chega na sala da sua casa, espera Eliot Ness (Kevin Costner) chegar pra ainda lhe revelar o paradeiro do contador de Al Capone (Robert De Niro).
A morte teve trabalho com esse cara.
                                                                                                                               2. Despedida comovente: o morimbundo resiste até poder declarar seu amor eterno, agradecimento melancólico ou pedir perdão por ter feito alguma cagada durante o filme (cagada à qual, provavelmente o levou ao momento da morte. aqui se faz, aqui se paga, nigga!)
Cena do filme “Senhor dos Anéis – A sociedade do anel”, com a morte de Boromir (Sean Bean). “Ae, desculpa por tentar pegar o anel e quase foder todo mundo.”
                                                                                                                                
Cena do filme “Forrest Gump”, da triste/filosófica/em meio à selva sendo bombardeada morte de Bubba (Mykelti Williamson).
                                                                                                                               3. Pedido fdp: o indivíduo em questão, utilizando da sua condição da maneira mais apelativa possível, pede ao coitado que tá lá com ele (que ainda está fazendo o favor de o segurar nos braços, provavelmente correndo risco de morrer também) algum favor – e não falo de qualquer favor: é do naipe “Cuide da minha família”, “Vença a guerra por mim”, “Entregue essa carta à fulano”. (E vai saber quem é e onde mora o fulano…)
                                                                                                                              
Cena do filme “O resgate do soldado Ryan”, cuja morte de Wade (Giovanni Ribisi) deixou uma cartinha no bolso. Sem compromisso.
                                                                                                                             4. Momento “Sou foda”: o cara se acha o fodão da parada, e mesmo nos últimos suspiros ainda grita para aqueles que tão simplesmente o matando “Seus merdas! Is that the best you mother-fuckers can do!?”
                                                                                                                                
Cena do filme “Scarface”, da morte de Tony Montana. You fuck with him, you fuckin’ with the best.
                                                                                                                                
Cena do filme “Táxi Driver”, com o incansável Travis (De Niro). Tiro na jugular? FODA-SE, eu boto a mão no lugar e continuo matando geral!
                                                                                                                           E por que essa droga é tãããão boa!?
Não é mera coincidência que os exemplos de filme que eu coloquei neste post sejam todos… do caralho.
Sim, minha gente!
Nada como uma morte épica pra deixar tornar um filme clássico/ícone/inesquecível.
E, vai, confessa. Você bem que chorou em alguma dessas cenas. Ou sentiu o olho dá aquela ardidinha. Ou quis gritar que nem um louco no melhor estilo de negação: “Nããão! Ele não pode morrer!”
“Clube da Luta”. Ok, atirei na minha cabeça, mas ainda falo – e digo que tá tudo bem, fico de pé e assisto o circo pegar fogo. Chupa essa manga, Norris.                                                                                                                                                                                                    Lição de vida (ou morte) dessa segunda-feira: antes de seguir a luz branca brilhante no fim do túnel, declare seu amor, peça perdão, dê um conselho (qualquer que seja, na hora vai soar sábio), ou faça uma piada sobre a ironia de você estar morrendo (muito chique, super in).
Ah, e se possível, sempre guarde um segredinho na manga pra revelar na hora H.
É, meu povo. Morrer no clichê é mais difícil do que você imaginava.

Celebizarros!

27 set

Apresento-lhes Kate Walsh.

Kate estourou pra fama com o seriado Grey’s Anatomy (aqueeele de médicos que se pegam, sabe?) na pele da personagem Addison Montgomery Shepherd, a esposa traída de Derek Shepherd.  – Outra coisa que foge a minha compreensão. Quem no mundo trairia a Addison com a Meredith?!  Bizarro. Mas isso é assunto pra uma próxima… – A aceitação foi tão grande que hoje ela ainda interpreta Addison, mas agora apenas Montgomery, solteira e protagonista do spin-off Private Practice.

Kate Walsh é linda e divertidíssima (comprovam todos os seus seguidores no Twitter). Mas o que mais impressiona mesmo é a semelhança que Kate carrega com outra atriz [PAUSA. “Outra atriz”não… “A Diva do cinema francês” talvez seja a forma gramaticalmente correta]: Catherine Deneuve!

A semelhança é tamanha que até mesmo o marido de uma das pacientes de Addison notou, no episódio 2×20 Band-Aids Cover the Bullet Hole, deixando rapidamente a esposa pra escanteio.

“Nossa, realmente! Elas se parecem muito… Mas o que há de bizarro nisso?”

Eu lhes digo, caros leitores: absolutamente nada.

Pois bem, tudo até aqui não passa de uma forma descarada  de publicar fotos de Kate Walsh e Catherine Deneuve em um único post. Sim, uma desculpa esfarrapada vocês dirão, mas talvez nunca tivéssemos chance de apreciar tamanha beleza em nosso amado blog, portanto agradeçam-me. Sempre zelando por vocês…

Tendo resolvido essa situação, eu lhes digo o que é realmente bizarro: Tudo Para Ficar Com Ele (2002).  Quem nunca se deliciou com esse verdadeiro guilty pleasure?

Se você já viu, não preciso dar muitas explicações dos motivos pelos quais o filme é bizarro. Garotas completamente insanas em situações mais insanas ainda. Mas dentre muitas bizarrices, elenco uma como a principal: esse filme foi baseado em Kate Walsh.

Acontece que a roteirista, Nancy Pimentel, é uma das melhores amigas de Kate e decidiu basear-se da amizade das duas para a construção do filme. Prova disso pode ser vista nos extras do DVD:

Essa pequena e inofensiva informação me deixou perturbadíssima quanto a origem de algumas cenas. Como por exemplo essa:

Ou essa:

Mas talvez a que mais me intrigue seja essa

Isso não é um déjà vu.

19 set

Se você mora em São Paulo, deve ter verdadeiro horror da palavra chuva. Enchente, trânsito, alagamento…

E como a cidade da garoa sofre de uma verdadeira TPM climática, nem sempre estamos preparados para o toró repentino.

Mas hoje você vai ver o lado bom de tomar uma chuvinha. E dica é um dos clichês mais banais de toda a história do cinema.

Não, não estou falando de filmes com Jim Carey no papel de um louco, nem de Eddie Murphy interpretando 20 personagens de uma só vez. Dessa vez, trata-se do romântico e dramático beijo na chuva.

Cena final do filme "Bonequinha de Luxo", de Blake Edwarrds, com o belo beijo de Audrey Hepburn e George Peppard

Chega um momento no filme romântico que tudo parece errado: o casal está brigado, a garota está em perigo, o mocinho está em dúvida sobre o amor e todo o romance parece que vai ter seu fim. E de repente, desaba aquela tempestade.

E quando isso acontece… espectador sentimental, fique tranquilo: tudo vai dar certo. Afinal, quem lembra de alguma coisa depois de um beijo avassalador que nem esses?

Ryan Gosling e Rachel McAdams, no filme "Diário de uma Paixão", de Nick Cassavetes

Por que é clichê?

Porque é a apelação máxima do romance – não importa o diretor, o país, a época ou o gênero (embora seja, obviamente, bem mais frequente em comédias românticas) – eventualmente, aquele beijinho romântico vai lá na tela dar seu ar da graça. E a música de fundo sempre vai ser aquela de orquestra…intensa… e suave… e… padrão.

Nem o beijo invertido do Homem Aranha escapou da garoa.

Por que essa droga é tãããão boa?

Bom, cinema é manipulação. Nada tá lá “por acaso”. E não teve aquela chuvinha surpresa justo naquele dia, ó ingênuo. O cara que pensou naquela cena sabia que você ia dar aquele suspiro “Aaahh…”. E se você não suspirou, fez aquela carinha boba (não, você não conseguiu disfarçar), e respirou profundamente. E você fez tudo isso por vários motivos:

  1. A primeira reação de alguém quando chove é correr – se proteger, ir pra um lugar seco. Só daquele casal estar lá, disposto, debaixo daquele chuvão, na maior calma, já, institivamente, te chama  a atenção;
  2. A cena geralmente vem seguida de um momento de tensão (discussão, despedida, ou uma DR básica);
  3. A roupa dos atores (que, falemos os fatos, sempre são, no caso das mulheres, gostosas/bonitas, e no caso dos homens, sarados/galãs) estão grudadinhas, e com sorte, meio transparentes.
  4. O close da câmera em conjunto com a música deixa todo mundo morrendo de vontade de sair no meio da rua, puxar o primeiro desconhecido que encontrar e lascar-lhe um baita de um beijo molhado. E se você não matar essa vontade, vai virar um desejo pro resto da sua vida.

Natalie Portman e Zach Braff, em "Hora de Voltar", do próprio Zach Braff (...o cara mais foda ever - não resisti.)

Jonathan Rhys Meyers e Scarlett Johansson, em "Match Point", do mestre Woody Allen. Sacou o lance da roupa molhada?

É… Beijar é bom. Beijar na chuva, pelo menos nos filmes, é muuuito melhor.

Então, que cantar na chuva que nada! Fechem os guardas-chuvas e beijem loucamente debaixo d’água!

PS: Vale tomar um remedinho pra gripe chegando em casa. Se tem um beijo que não é sexy, é o beijo gripado. #ficaadica

Kitsch / Cult

11 set

Tão ridículo que é imediatamente cool